sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Vida extraterrestre e tudo mais

[Originalmente publicado no blog Bule Voador]

A busca por vida no universo é, talvez, um dos melhores exemplos da nossa humildade combinada com curiosidade. Afinal, alguém poderia perguntar: Por qual razão seres conscientes da sua própria existência dedicariam tempo e recurso na investigação de algo que não há garantias de sucesso?

Algumas pessoas fixam-se excessivamente com o compromisso do resultado, esquecendo ou menosprezando o progresso. Ao longo dos anos — motivados pela paixão e atraídos pelo desconhecido –, os cientistas trouxeram à tona informações preciosas do nosso local no cosmos. Tomando os últimos 450 anos, qualquer um que se aventurar a explorar os detalhes destas descobertas ficaria sem fôlego: Coisas que hoje nos parecem banais eram frequentemente entendidas através de especulações que transitavam entre o plausível e a superstição. Quem não lembra da ideia defendia por exploradores de que no final do horizonte do mar haveria uma queda rumo a morte? Não muito tempo atrás achava-se que os canais em Marte teriam sido feitas por uma civilização extraterrestre tecnológica com intuito de irrigar suas plantações. Há três décadas atrás não haviam planetas descobertos que não fossem os do próprio sistema solar. Nosso sistema, pensava-se, era único; não seria concebível imaginar planetas fora da galáxia. Em pouco mais cem anos atrás muitos sequer imaginavam que outras galáxias pudessem existir. Todas essas questões — e suas respostas–, apareceram numa fração diminuta do tempo desde que a vida surgiu na Terra. Colocando as coisas em perspectivas, não deixa de ser espetacular que somos a primeira espécie na Terra — algo como os últimos 15 segundos antes da meia-noite do dia 31 e Dezembro do calendário cósmicos, onde 1° de Janeiro é o nascimento do universo –, com a capacidade de satisfazer as inquietações intelectuais que o próprio universo nos convida a serem perguntadas. Somos uma parte do cosmos que tomou consciência e inteligência o suficiente para perscrutar perguntas até então inéditas na história do planeta.

Algumas dessas informações são úteis para a humanidade toda, não apenas para saciar a curiosidade de mentes inquietas. Foi com a exploração espacial que descobrimos um efeito estufa descontrolado no nosso vizinho mais próximo (Vênus), e que serve de aviso para nossa espécie reforçar os esforços que combatam a degradação ambiental. O advento necessário de novos satélites e telescópios trouxeram tecnologias maravilhosas para todos. Muito do impulso tecnológico de miniaturização de câmeras dos celulares modernos foi possível como uma espécie de coproduto da exploração realizada por nossas agências espaciais. Não seria maravilhoso que mais e mais tecnologia pudesse ser extraída para o nosso conforto que viesse desse tipo de atividade? Muito melhor que a humanidade obtenha benefício das suas ações criativas em detrimento das destrutivas. Guerras também geram tecnologias. Não deixaremos de usá-las por isso; entretanto não deixa de ser um pouco incômodo que há concorrentes produtores de tecnologias defendendo valores mais plurais e producentes– e que estão fazendo o trabalho de maneira mais humana.

O mistério é atualizado conforme as dúvidas da atualidade são outras. E talvez sejam bobas para o estudante do futuro: Há vida no nosso sistema solar? Qual a dificuldade do aparecimento da vida em outros cantos do universo? O que está acontecendo, nesse exato momento, naquela estrela misteriosa a 1500 anos luz de distância da Terra? Uma vez ter identificado vida tecnológica, seria possível algum diálogo? O recado é simples: Nenhuma pergunta é idiota, e não fazê-las é precisamente algo que caracteriza a idiotice.

Muitas vezes, a superstição e o dogmatismo insistem em substituir nossos métodos racionais de investigação. Em doses moderadas, é possível conviver com a superstição, mas não com o dogma. Se estivermos disposto a aceitar cegamente a palavra da autoridade ou alguma mensagem revelada em detrimento da livre investigação acompanha do escrutínio, não podemos garantir que nosso futuro será o de preservação da humanidade. É por isso que uma das razões que motiva a busca por vida extraterrestre é a possibilidade de descobrir um pouco mais sobre nós mesmos.

domingo, 8 de novembro de 2015

Sobre as intervenções ativistas nas universidades

Fonte: iStock Vectors / Getty Images *As frases são de coletivos de universidades brasileiras

[Originalmente publicado no blog Bule Voador]

 Com frequência, temos visto nas universidades atos conhecido como “intervenções”, “performances” ou “problematizações”. Seja em nome de causas feministas ou por questões de gênero, há algo em comum nesses eventos. Apostam em uma espécie de impacto visual para chamar atenção à sua causa: pessoas aparecem nuas dançando ou se banhando em óleo; outras vezes urinam em baldes e ameaçam transeuntes; masturbam-se em público; ecoam gritos contra o patriarcado ou contra imposições de gênero. Causam ao mesmo tempo estranheza e adoração. O que está em jogo é algo defensável: tentar minimizar preconceitos enraizados na sociedade, como o machismo, homofobia, transfobia e racismo. Portanto a questão seguinte merece atenção: as intervenções ativistas vistas nesses locais contribuem de alguma maneira à causa defendida?
     Primeiramente, é necessário reconhecer a necessidade de sensibilizar cognitivamente as pessoas pertencentes do grupo ao qual é desejado persuadir. Se o ativismo praticado é aquele que pressupõe eficácia por adesão numérica de pessoas através de suas performances em detrimento de argumentos, isso implica em desacreditar na possibilidade de chegar a resultados relativamente consensuais usando argumentos com premissas universais (tanto quanto possíveis) nos quais todas as pessoas possam aceitar. Isso não significa minimizar a arte como força revolucionária -- só implica que a qualidade de suas premissas não é proporcional às apresentações esdrúxulas. Ora, se em um argumento dedutivamente válido é considerado cogente (um bom argumento) quando as premissas são verdadeiras e são mais plausíveis que a conclusão, é razoável o paralelo que uma performance ativista pretendendo entregar uma mensagem proposicional (a saber, agir ou pensar de tal forma é moralmente errado) deve ter suas ações pautadas de maneira mais moderada do que a mensagem final desejada (pelo menos para o estado cognitivo do receptor). Em outras palavras, causar estranheza ao seu público alvo não parece uma maneira eficaz de transmitir ideias.
     Para fins ativistas, é razoável defender uma união entre manifestações artística e argumentação dedutiva. O ponto central é: a performance e/ou as premissas dos argumentos deve ser suficientemente convincente para atingir seu público alvo. Um argumento pode ser válido e concomitantemente ruim; da mesma forma, a performance pode alcançar um público numeroso e mostrar-se igualmente ser ruim. E é ruim quando falha precisamente por convencer o receptor da importância do seu ato.
     Que um argumento pode ser logicamente válido e ao mesmo tempo ruim é ponto pacífico para quem tem minimamente um estudo sobre lógica dedutiva. Detenho-me então na seguinte afirmação: independente da extravagância ou moderação visual de sua performance, ela só terá eficácia se o se ato for mais palatável para o destinatário do que para emissor; o último já está convencido da importância da sua finalidade, então é o primeiro que merece maior atenção.
      E como defender a afirmação acima? A resposta precisa contemplar a tese que entende como positiva as manifestações com performances transformadoras, com consequente adesão a determinada causa. Essa é uma tese empírica, e, portanto merece uma investigação igualmente empírica. As evidências alertam para a pouca eficácia da performance agressiva e excêntrica. Inúmeros estudos têm mostrado que incutir alguma mudança efetiva no comportamento moral das pessoas pode ser feita através da exposição interpessoal de cunho afetivo. Por exemplo, a convivência com gays próximos, parentes ou amigos, tem mostrado mais disposição das pessoas em minimizar seus comportamentos homofóbicos. Grosso modo, isso é o que pesquisadores nas áreas de psicologia e sociologia chamam de hipótese do contato – cujos resultados de estudos têm demonstrado que atitudes mais favoráveis a gays podem ser conseguidas quando grupos potencialmente homofóbicos têm experiências positivas com gays. Evidências também mostram melhoria de integração por contato inter-grupos para os casos de muçulmanos na Europa, para pessoas negras e para etnias sociais.
     Não há evidências de que atos com padrão visualmente agressivo, grotesco e/ou excêntrico incentive alguém mudar seu pensamento e comportamento moral. Temos razões para acreditar precisamente o contrário: segundo o estudo da Bashir e colaboradores, é comum pessoas evitarem se afiliar com ativistas por os enxergarem como militantes/agressivas e excêntricas/não-convencionais. Essa tendência de atribuir estereótipos negativos faz com pessoas sintam-se desconfortáveis em aderirem às motivações de mudança que os ativistas advogam. Se a conclusão está correta, a mensagem é cristalina: pessoas depositam estereótipos fortemente negativos sobre ativistas, e esses sentimentos reduzem sua vontade de apoiar aquilo pretendido por eles. Isso não sugere que tudo está perdido nas causas ativistas. Esse mesmo artigo sugere que pessoas foram mais motivadas a adotar comportamentos alinhados aos ativistas quando eles demonstram menos aspereza. Ainda nas palavras da autora, "convertidos" em potencial para a sua causa "podem ser mais receptivos a ativistas que desafiam os estereótipos ao se mostrarem como agradáveis e amigáveis". Outra forma de sensibilizar seu público-alvo é expor argumentos e evidências científicas sobre o assunto em causa.
     A resistência individual para a mudança social é mais difícil do que parece supor os ativistas performativos: um estudo projetado para medir a minimização de estereótipos e preconceitos em proporções populacionais falhou em diminuir os níveis de antagonismos após a implementação de um programa com acompanhamento; embora nos primeiros dias após a intervenção os níveis de preconceito medido tenham diminuído, após 3 meses voltou às condições iniciais. E embora as políticas de intervenções de redução de intolerância abundem, tem-se visto que, ironicamente, o efeito final possa resultar em exatamente o contrário do inicialmente pretendido. Nesse sentido, promoção da autonomia regulada de preconceitos (ou seja, encorajamento pessoal do valor da diversidade e autonomia) parece ser mais eficiente do que apenas pressão social (como linguagem agressiva) pura e simplesmente.
     Manifestantes dos atos de performances vangloriam-se que estão "causando", e assim acreditam que terão mais pessoas adeptas à sua causa. Entretanto acreditar nisso esbarra em um efeito limitante: só os iniciados comprarão a ideia -- talvez funcione para pessoas que não tinham encontrado ainda um terreno confortável para se manifestar, e enxergam nesses atos uma espécie de libertação epistêmica. Por outro lado, há algo de pernicioso e equivocado nessas ações. Elas parecem estar preocupadas mais com contagem de auditório do que qualidade de argumentos. Parece estar implícito que chocar pessoas com imagens pouco convencionais daquilo que se espera do cotidiano tenha alguma força, se não argumentativa, pelo menos de adesão à causa -- fomentando assim a reflexão futura. Tendo em vista a literatura recente, estas tentativas de promoção de igualdade não tenderão a gerar bons frutos.
     É importante reconhecer a potencialidade das ciências sociais em discutir publicamente a minimização de preconceitos. Em tese, essa é uma das tarefas da academia. A pergunta é: as pessoas ativistas estão sendo atualizadas com dados empíricos sobre o que tem sido feito em pesquisas que envolvem a percepção social sobre grupos minoritários? E mais, estão atualizadas sobre as evidências empíricas de vieses implícitos, e sobre o reforço de estereótipo negativo em manifestações de ativistas? A julgar pelas performances surgindo nas universidades a resposta é não.

domingo, 11 de outubro de 2015

Local de fala, protagonismo e privilégio à luz da epistemologia



[Originalmente postado no blog Bule Voador]
Em filosofia, a epistemologia (teoria do conhecimento) dedica-se a estudar questões do tipo: qual a origem do conhecimento? Qual relação entre conhecimento e certeza, e entre o conhecimento e a impossibilidade do erro? Qual o papel da experiência e da razão na geração do conhecimento?
    É necessário, primeiro, determinar o significado de conhecimento. Como todo o conhecimento é uma relação entre um agente e um objeto, diferentes tipos de conhecimentos são concebíveis. Se alguém alega saber andar de bicicleta, nadar, ou preparar uma deliciosa sobremesa é porque esta pessoa tem o conhecimento de como efetuar uma ação. É um saber-fazer — sendo este o nome dado a este tipo específico de conhecimento prático. Outro tipo: Posso manifestar minha experiência direta com pessoas famosas, ou locais famosos. Se alguém diz que mora em Paris há anos, então é provável que esta pessoa conheça bem a cidade. A este tipo damos o nome de conhecimento por contato.
    Um terceiro tipo — de maior interesse para a filosofia –, é o conhecimento proposicional. Nesse caso, estamos interessados em uma proposição: uma pessoa pode afirmar saber que Paris é a capital da França, sem ser necessário que a tenha visitado. Tradicionalmente, a maneira de abordar conhecimento proposicional é tentar encontrar condições necessárias e suficientes que possam defini-lo. Embora os filósofos ainda discordem (veja o problema de Gettier), uma tentativa de entender conhecimento proposicional é estabelecê-lo como sendo uma crença verdadeira e justificada (convenientemente chamada de definição tripartida). Explorar detalhes desta definição está além do objetivo do presente texto, mas é necessário ter em mente o seguinte: a investigação do conhecimento proposicional (como a alegação de uma pessoa que supostamente diz uma verdade) independe de características intrínsecas do receptor. Dito de outro modo: o acesso à informação (ou conhecimento, se esta informação for verdadeira e justificada), pode ser igualmente perscrutado por qualquer ser humano, não importando sua cor de pele, orientação sexual, identidade de gênero, opção religiosa, etc.
    À luz da teoria do conhecimento, é possível existir algum sentido nos excessos (aparentemente banalizados) os quais têm proclamado “protagonismo e local de fala do oprimido”? Em certo sentido sim: caso alguém limite o acesso ao conhecimento humano somente através do conhecimento por contato e saber-fazer. Sobretudo o primeiro, poderia ser mais ou menos equivalente ao que é alegado de “vivência do oprimido”. Algumas vertentes são ainda mais pontuais: Só a mulher pode combater o machismo, porque só ela sabe o que é sofrer na sociedade patriarcal; só o homossexual pode lidar com a opressão contra os gays, pois só eles sabem o que é viver na pele a homofobia. Resumindo, o protagonismo é do oprimido. Uma consequência disso, muitas vezes, é apelar para alguma espécie de privilégio epistêmico. Ou seja, que grupos oprimidos teriam acesso privilegiado da verdade (no caso, a verdade seria o acesso à informação da opressão). Entretanto, há algo de filosoficamente pueril defender que o conhecimento só pode ser alcançado por experiências de contato. Como já assinalou a filósofa Susan Haack, as teses baseadas na ideia que a opressão fornece privilégio epistêmico ao oprimido são implausíveis. Se estivessem certas, os grupos mais desfavorecidos resultariam nos melhores cientistas; talvez o contrário: os oprimidos e socialmente marginalizados muitas vezes têm pouco acesso à informação e educação para lhe garantirem destaque em ciência, dessa forma os levando a uma situação de “desvantagem epistêmica”.
    A experiência humana, entretanto, é muito mais complexa. Resumir o mundo entre opressores e oprimidos, conhecedores e não conhecedores (por contato), é falhar em reconhecer que conhecimento proposicional tem um potencial papel relevante no que diz respeito a investigações de verdades no mundo, e que não pode ser desprezado. Ignorar conhecimento proposicional pode dar margem a acusações falaciosas como aquele que julga toda a violência contra a mulher tendo origem na sociedade patriarcal: tem sido evidenciado que, em determinadas condições de relacionamentos, mulheres podem ser igualmente ou mais violentas que os homens. É irrelevante que quem alegou isso foi uma mulher ou um homem branco cissexual. O que está sendo mostrado nestes estudos é algo pretendido a ser como conhecimento proposicional, e, portanto o escrutínio cabe focando-se na metodologia da pesquisa, e não sobre o sexo do pesquisador. Fechar os olhos para o conhecimento proposicional pode correr o risco de alimentar um ativismo mal informado: mais de décadas de acúmulo de evidencias em psicologia apontam que pessoas, independentemente de seus grupos, guardam em média vieses contra seus próprios grupos. São vieses implícitos que podem (em maior ou menor grau) fazer com que homossexuais sejam homofóbicos, ou mulheres machistas. O que todas estas pesquisas têm mostrado é que preconceito é um aspecto da vida mental e sendo assim pode ser objetivamente estudado. Trocar conhecimento proposicional por “vivência” é endossar alguma espécie de irracionalismo, ou até mesmo subjetivismo da pior espécie.
    Parece razoável que um homem heterossexual não sofra homofobia, mas não é razoável defender uma tese no sentido de impossibilitar este homem de conhecer (no sentido proposicional) que a homofobia existe, é algo ruim e deve ser combatida. O que parece estar em causa é: o conhecimento por contato (no sentido de “vivência”) pode ser uma condição facilitadora, mas não é uma condição necessária (nem suficiente) para reconhecer mecanismos de opressão na sociedade. Somando-se a isso, se alguém está interessado em resolver injustiças sociais por meios éticos, sugerir alternativas racionais para saná-las parece exigir muito mais conhecimento proposicional sobre o mundo do que conhecimento por contato. E este conhecimento não deriva apenas das ciências empíricas. A própria reflexão ética é baseada por proposições, sem necessidade de depender única e exclusivamente de locais de falas da vivência do oprimido. Ativismo maduro — eticamente engajado e cientificamente informado –, é muito antes checar os fatos (ou proposições) do que checar os privilégios (ou suas vivências).

Uso de maconha por adolescente: Recente estudo sugere que o consumo não está ligado a depressão, câncer e nem sintomas psicóticos

Uso de maconha por adolescente: Recente estudo sugere que o consumo não está ligado a depressão, câncer e nem sintomas psicóticos
 [Originalmente postado no blog Bule Voador]
O uso crônico de maconha por adolescentes não parece estar ligado a questões posteriores de saúde física ou mental, como depressão, sintomas psicóticos ou asma. Esta foi a conclusão de um recente estudo publicado pela American Psychological Association.
Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh Medical Center e da Universidade Rutgers acompanharam 408 homens a partir da adolescência até seus 30 e poucos anos.
“O que descobrimos foi um pouco surpreendente”, disse o pesquisador Jordan Bechtold, pesquisador de psicologia da Universidade de Pittsburgh Medical Center. “Não houveram diferenças nos resultados de saúde mental ou física que nós medidos, independentemente da quantidade ou frequência de maconha usada durante a adolescência.”
O uso de maconha foi submetido a um intenso escrutínio depois de vários estados nos EUA legalizarem a droga, o que levou os pesquisadores a examinarem se o uso de maconha entre adolescentes têm consequências para a saúde a longo prazo. Com base em alguns estudos anteriores, eles esperavam encontrar uma ligação entre o uso de maconha entre adolescentes e o posterior desenvolvimento de sintomas psicóticos (delírios, alucinações, etc.), câncer, asma ou problemas respiratórios, mas nenhuma foi encontrada. O estudo também não encontrou nenhuma ligação entre o uso de maconha entre adolescentes e depressão, ansiedade, alergias, dores de cabeça ou pressão arterial elevada. Este estudo é um dos poucos sobre os efeitos da saúde a longo prazo do uso de maconha entre adolescentes que têm monitorado centenas de participantes de mais de duas décadas de suas vidas, disse Bechtold.
A pesquisa foi um desdobramento do Estudo da Juventude de Pittsburgh, que começou a acompanhar desde os 14 anos de idade estudantes do sexo masculino de escolas públicas e Pittsburgh no final de 1980 para analisar várias questões de saúde e sociais. Durante 12 anos, os participantes foram examinados anualmente ou semestralmente, e uma pesquisa seguinte foi realizada com 408 participantes em 2009-10 quando eles tinham 36 anos de idade. A amostra do estudo foi de 54% de negros, 42% de branco e 4% de outras raças ou etnias. Não houve diferenças nos resultados com base em raça ou etnia.
Os participantes foram divididos em quatro grupos com base no seu uso de maconha relatada: baixo ou não-usuários (46%); usuários crônicos (22%); participantes que só fumaram maconha durante a adolescência (11%); e aqueles que começaram a usar maconha mais tarde, em seus anos de adolescência e continuara usando a droga (21%). Usuários crônicos relataram um consumo muito maior de maconha, o que aumentou rapidamente durante a adolescência para um pico de mais de 200 dias por ano, em média, quando eram 22 anos de idade. Entretanto, o consumo relatado diminuía à medida que envelheceram.
Os pesquisadores controlaram outros fatores que podem ter influencia nos resultados, incluindo tabagismo, uso de outras drogas ilícitas, e acesso dos participantes ao seguro de saúde. Uma vez que o estudo incluiu apenas homens, não houve resultados ou conclusões sobre as mulheres. Relativamente poucos participantes tinham sintomas psicóticos, de acordo com o estudo.
“Queríamos ajudar a informar o debate sobre a legalização da maconha, mas é uma questão muito complicada e um estudo não deve ser tomada de forma isolada”, disse Bechtold.
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Tradução: Cicero Escobar

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Chamada do CNPq está apoiando pesquisa em homeopatia

   Ao abrir a página do CNPq desta semana, é possível encontrar um anúncio desconfortável. Uma chamada em parceria com a ANVISA visando apoiar financeiramente projetos que incluem estudos envolvendo homeopatia. E isso não é a primeira vez que acontece.
   O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, é uma agência do Ministério da Ciência, e desde a década de 50 tem como principais atribuições fomentar a pesquisa científica e tecnológica e incentivar a formação de pesquisadores brasileiros. Na página da agência é possível encontrar o que norteia a instituição: “Fomentar a Ciência, Tecnologia e Inovação e atuar na formulação de suas políticas, contribuindo para o avanço das fronteiras do conhecimento, o desenvolvimento sustentável e a soberania nacional.” A missão da agência é cristalina. Contudo, algumas vezes seu financiamento científico é obscurantista.
   O CNPq é um órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Trocando em miúdos, o investimento em ciência e tecnologia da instituição é adquirido através de dinheiro público. Sendo assim, há pelo menos duas responsabilidades que a instituição deve prezar — uma científica e outra moral.
   Na literatura científica é possível encontrar pelo menos 5 meta-análises (estudos sobre estudos científicos) indicando unanimemente que a homeopatia não difere do placebo. Se a homeopatia quer ser aceita como medicina ela tem que se mostrar eficaz, e ser submetida ao escrutínio científico é uma condição necessária para alcançar esse objetivo. Medicina é uma só: Se alguém faz alguma alegação extraordinária sobre um fenômeno médico, deve estar submetido ao mesmo rigor crítico que qualquer pesquisador no mundo faz sobre determinado evento. O resumo é: Um preparado homeopático não difere em nada de pílulas de farinha. Tendo em posse essas informações – qualquer pessoa pode ter acesso gratuitamente aos artigos científicos nas Universidades públicas do país –, chega ser irônico o uso de parte do recurso público (que fornece subsídio à informação e senso crítico ao indivíduo) parcialmente dividido para financiar projetos em uma linha de pesquisa cuja conclusão já foi satisfatoriamente demonstrada como ineficaz. Então é aqui que fica o questionamento moral: É correto que um órgão governamental continue promovendo recursos humanos e financeiros a uma prática contraditória aos princípios básicos de química, física e biologia, e que ainda vai de encontro aos melhores resultados científicos disponíveis? Embora de natureza um pouco distinta, é esperado que pessoas repudiem uma fraude científica. Por qual razão deixaria de ser uma discussão igualmente ética um órgão de fomento de pesquisa endossar uma prática ausente de respaldo na comunidade científica?

   Alguém poderia refutar: Só teremos condições de concluir sobre a eficácia após dedicar recursos em pesquisas. Não está errado quem alega isso, não fosse pelo fato de que a homeopatia já foi profundamente investigada (sobretudo a nível clínico — pois já foi concebido que poderia haver algum fenômeno básico ainda desconhecido a nível molecular). Nesse sentido, seria algo ao equivalente a defender recursos a uma pesquisa que quisesse novamente descobrir a roda. Além disso, a chamada de apoio financeiro ao projeto não menciona a investigação de eficácia. Ao que tudo indica já se considera a prática eficaz. Segundo o texto publicado na chamada, um dos objetivos é o “estudo para desenvolvimento de monografias de insumos ativos para uso homeopático”. Uma chamada de pesquisa deste tipo não parece fazer sentido se alguém entende que a prática não tem eficácia.
   O apoio do CNPq favorável à homeopatia contradiz o processo rigoroso de revisão por pares ao qual a prática já foi submetida. Não parece ser uma atitude virtuosa especialmente de uma agência de fomento que deveria reconhecer o estado da arte daquilo que está sendo financiado.
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Nota de esclarecimento: O autor não se opõe ao direito dos homeopatas de fazer e vender seus preparados (como já foi defendido aqui). Seria falacioso que, mesmo reconhecendo a não eficácia da prática, disso se seguisse proibição de venda e consumo — sobretudo se este comércio é exercido na esfera privada e com pleno consentimento dos envolvidos.

Novo modelo pode explicar surgimento de autorreplicação nos primórdios da Terra

Post traduzido para o Universo Racionalista 

Crédito: Credit: Maslov and Tkachenko
Quando a vida na Terra começou há mais 4 bilhões de anos - muito antes dos seres humanos, dos dinossauros ou até mesmo as primeiras formas unicelulares de vida -, ela pode ter iniciado como um "soluço" ao invés de um "rugido": Blocos simples de construção moleculares, conhecidos como monômeros, foram agregando-se em cadeias mais longas, chamadas de polímeros, e, sequencialmente, acabaram indo em direção a lagos quentes - que alguns chamam de lodo primordial.
   Então, em algum momento, essas cadeias poliméricas crescentes desenvolveram a capacidade de fazer cópias de si mesmas. A concorrência entre tais moléculas garantiria a existência das mais eficientes na tarefa e, também, a capacidade de fazer cópias mais rápidas ou com maior abundância -- traço que seria compartilhado pelas cópias geradas. Esses replicadores rápidos poderiam preencher o lodo primordial com mais velocidade do que os outros polímeros, permitindo que a informação por eles codificada pudesse ser passada de uma geração para outra, eventualmente, dando origem ao que nós pensamos hoje como a vida.
   Mas, sem registro fóssil para verificar os acontecimentos da Terra primordial, temos uma narrativa que ainda está ausente de alguns capítulos. Uma questão em particular continua a ser problemática: o que permitiu o salto de uma sopa primordial constituída de monômeros individuais para cadeias de polímeros autorreplicantes?
   Uma nova proposta, publicada nesta semana no The Journal of Chemical Physics, postula que a ligação de polímeros pode ter sido auxiliada por uma molécula-modelo, ou seja, a união de dois polímeros auxiliada por essa molécula-modelo poderia ter permitido que eles se tornassem autorreplicantes.
   "Tentamos preencher essa lacuna no entendimento entre os sistemas físicos simples para algo que pode se comportar de forma realista e transmitir informações", disse Alexei Tkachenko, pesquisador do Brookhaven National Laboratory. Tkachenko realizou a pesquisa ao lado de Sergei Maslov, um professor da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.
 Origens da autorreplicação
   A autorreplicação é um processo complicado. O DNA, base para a vida na Terra hoje, requer uma ação coordenada de enzimas e de outras moléculas a fim de se duplicar. Os primeiros sistemas autorreplicantes eram, certamente, mais rudimentares, mas a sua existência naquela época ainda é um pouco desconcertante.
   Tkachenko e Maslov propuseram um novo modelo que mostra como as primeiras moléculas autorreplicantes poderiam ter trabalhado. O modelo alterna entre as fases "dia", em que os polímeros individuais flutuam livremente, e fases "noite", em que se juntam para formar cadeias maiores via ligação auxiliada por uma molécula-molde. As fases são conduzidas pelas alterações cíclicas das condições ambientais, tais como temperatura, pH e salinidade - que conduzem o sistema para fora do equilíbrio e induzem os polímeros tanto a se unirem ou a se separam.
   De acordo o modelo, durante os ciclos de noite, múltiplos pequenos polímeros ligam-se a cadeias de polímeros maiores, que atuam como molde. Esse molde maior de cadeias mantém os polímeros menores próximos o suficiente para que eles possam formar uma ligação química de cadeias maiores - sendo uma cópia complementar de pelo menos parte da molécula modelo. Com o tempo, os polímeros sintetizados devem predominar, dando origem a um sistema autocatalítico e autossustentável de moléculas grandes o suficiente para potencialmente codificar novas moléculas para a vida.
   Os polímeros, também, podem ligar-se em conjunto sem a ajuda de um molde, mas o processo é um pouco mais aleatório - uma cadeia que se forma em uma geração não será necessariamente levada para a próxima. A ligação assistida por molde, por outro lado, é um meio mais fiel de preservar a informação, uma vez que as cadeias de polímero de uma geração são utilizadas para construir a próxima. Assim, essa proposta combina o prolongamento de cadeias de polímero com a sua replicação, proporcionando um mecanismo potencial de hereditariedade.
Enquanto alguns estudos anteriores têm argumentado que uma mistura dos dois é necessária para sair um sistema de monômeros para outro de polímeros autorreplicantes, o modelo de Maslov e Tkachenko demonstra que é fisicamente possível para a autorreplicação surgir com apenas ligação auxiliada pelo modelo.

"O que nós demonstramos pela primeira vez é que mesmo se tudo que você tem é a ligação auxiliada pelo modelo, você ainda pode iniciar o sistema de sopa primordial", disse Maslov.
   A ideia da autorreplicação auxiliada por uma molécula molde foi originalmente proposta na década de 1980, mas de uma forma qualitativa. "Agora, é um modelo real que pode ser executado através de um computador", disse Tkachenko. "É uma peça sólida de ciência para a qual você pode adicionar outros recursos e estudar os efeitos de memória e herança."
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   Com o modelo de Tkachenko e Maslov, a condução a partir de monômeros para polímeros é bem mais repentina. É necessário um determinado conjunto de condições para dar o salto inicial de monômeros para polímeros autorreplicantes, mas essas exigências rigorosas não são necessárias para manter um sistema de polímeros autorreplicantes uma vez que se venceu sobre o primeiro obstáculo.
Uma limitação do modelo que os pesquisadores planejam abordar em estudos futuros é a sua suposição de que todas as sequências de polímero são igualmente prováveis de ocorrer. Transmissão de informações requer variação hereditária -- há determinadas combinações de código de bases para proteínas específicas, que têm funções diferentes. O próximo passo, então, é a de considerar um cenário em que algumas sequências tornam-se mais comuns do que outras, permitindo que o sistema para transmitir informações significativas.
   O modelo de Maslov e Tkachenko se encaixa na proposta conhecida como hipótese do mundo-RNA - a hipótese de que a vida na Terra começou com moléculas de RNA autocatalíticas que, em seguida, levaria a existência da molécula mais estável, porém mais complexa como modo de transmissão de herança, do DNA. Entretanto, por ser uma tese muito geral, pode ser utilizada para testar quaisquer hipóteses sobre a origem da vida que dependa do surgimento de um sistema simples autocatalítico.
   Maslov adiciona: "Nós não estamos tentando resolver a questão de qual material esta sopa primordial de monômeros está vindo" ou quais as moléculas específicas envolvidas. Em vez disso, o seu modelo mostra um caminho fisicamente plausível partindo de monômero indo em direção a polímeros autorreplicante, assim avançando um passo mais para de compreender a origem da vida.
 
 Traçando a origem da vida, de Darwin até os dias atuais 

  Quase toda cultura no planeta tem uma história de origem, uma lenda que explica a sua existência. Os seres humanos parecem ter uma profunda necessidade de uma explicação de como acabamos aqui, neste pequeno planeta girando através de um vasto universo. Os cientistas, também, há muito , têm procurado a história de nossas origens, tentando discernir como, em uma escala molecular, a Terra passou de uma confusão de moléculas inorgânicas para um sistema ordenado de vida. A pergunta é impossível de responder com certeza; não há registro fóssil nem testemunhas oculares. Entretanto, isso não impediu que cientistas de tentarem.
   Ao longo dos últimos 150 anos, nossa compreensão da origem da vida tem espelhado o surgimento e desenvolvimento dos campos de química orgânica e biologia molecular. Ou seja, uma maior compreensão do papel que os nucleotídeos, proteínas e genes desempenham na formação do nosso mundo vivo hoje também melhora, gradualmente, a nossa capacidade de perscrutar o seu passado misterioso.
   Quando Charles Darwin publicou seu seminal "A Origem das Espécies", em 1859, ele falou pouco sobre o surgimento da vida em si, possivelmente porque, na época, não havia nenhuma maneira de testar tais ideias. Suas únicas observações reais sobre o assunto vêm de uma carta posterior a um amigo, na qual ele sugeriu um que a vida surgiu a partir de uma "poça morna" com um rico caldo de química de íons. No entanto, a influência de Darwin era de longo alcance, e suas observações improvisadas formaram a base de muitas origens dos cenários da vida nos anos seguintes.
   No início do século 20, a ideia foi popularizada e expandida por um bioquímico russo chamado Alexander Oparin. Ele propôs que a atmosfera na Terra primitiva era reduzida, o que significa que teve um excesso de carga negativa. Este desequilíbrio de carga poderia catalisar uma sopa pré-biótica de moléculas orgânicas existentes em direção às primeiras formas de vida.
   Os textos de Oparin, eventualmente, inspiraram Harold Urey, que começou a explorar a proposta de Oparin. Urey, em seguida, chamou a atenção de Stanley Miller, que decidiu testar, formalmente, a ideia. Miller tomou uma mistura da qual ele acreditava que os oceanos da Terra primitiva pode ter constituído -- uma mistura de compostos reduzidos, ou seja, composto de metano, amônia, hidrogênio e água- - e a ativou com uma faísca elétrica. A descarga elétrica transformou quase a metade do carbono no metano em compostos orgânicos. Um dos compostos que produziram foi glicina, o aminoácido mais simples.
   O experimento inovador de Miller-Urey mostrou que a matéria inorgânica poderia dar origem a estruturas orgânicas. E, embora a ideia de uma atmosfera redutora tenha caído gradualmente em desuso, sendo substituída por um ambiente rico em dióxido de carbono, a estrutura básica de Oparin de uma sopa primordial rica em moléculas orgânicas ainda continua plausível.
A identificação de DNA como o material hereditário comum para toda a vida, e a descoberta de que o DNA codifica o RNA, que, por sua vez, codifica as proteínas, forneceu uma nova visão sobre a base molecular para a vida. No entanto, forçou, também, os pesquisadores da origem da vida para responder a uma pergunta desafiadora: Como poderia essa maquinaria molecular complicada ter começado? O DNA é uma molécula complexa, requerendo uma equipe coordenada de enzimas e de proteínas para se replicar. Seu surgimento espontâneo parecia improvável.
Na década de 1960, três cientistas -- Leslie Orgel, Francis Crick e Carl Woese –, independentemente, sugeriram que o RNA poderia ser o elo perdido. Já que o RNA pode autorreplicar-se, então, poderia ter agido tanto como material genético como catalisador para o início da vida na Terra. O DNA, mais estável, embora mais complexo, surgiria mais tarde.
   Atualmente, acredita-se, amplamente (embora não universalmente aceito), que, em algum ponto da história, um mundo baseado no RNA dominou a Terra. Mas, como e se houve um sistema ainda mais simples é algo que continua em debate. Muitos argumentam que o RNA é muito complicado para ter sido o primeiro sistema de autorreplicantes na Terra, e que algo mais simples o precedeu.
Graham Cairns-Smith, por exemplo, tem argumentado, desde a década de 1960, que as primeiras estruturas genéticas não foram baseadas em ácidos nucleicos, mas em cristais imperfeitos que surgiram a partir da argila. Segundo ele, os defeitos nos cristais armazenariam as informações que poderiam ser replicado e transmitido de um cristal para outro. Sua ideia, embora intrigante, não é amplamente aceita.
   Alternativamente, outros pesquisadores suspeitam que o RNA possa ter surgido em conjunto com os peptídeos - uma tese conhecida como mundo peptídeo-RNA -, em que ambos trabalharam juntos para construir a complexidade. Os estudos bioquímicos, também, estão fornecendo informações sobre ácidos nucleicos análogos ao RNA, porém mais simples. Ainda, é possível que os primeiros sistemas autorreplicantes na Terra não tenham deixado nenhum vestígio de si mesmos em nossos sistemas bioquímicos atuais.
   É nesse sentido que o recente trabalho de Tkachenko and Maslov traz uma colaboração importante. Sugerem que as moléculas autorreplicantes, tais como o RNA, possam ter surgido através de um processo chamado de ligação auxiliada por um molde. Isto é, sob certas condições ambientais, pequenos polímeros poderiam ser levados a ligar-se com cadeias mais longas de um polímero complementar, mantendo os fios curtos em proximidade suficientes próximos uns dos outros para que eles pudessem se fundir em cadeias mais longas. Através de mudanças cíclicas nas condições ambientais que induzem cadeias complementares que virão juntos, uma coleção autossustentável de hibridizadas -- polímeros autorreplicantes --, capazes de codificar as bases para a vida, poderia ter surgido.
______________________________
Fonte:  Phys.org
Tradução: Cícero Escobar
Artigo
"Spontaneous emergence of autocatalytic information-coding polymers," por Alexei Tkachenko and Sergei Maslov, The Journal of Chemical Physics on July 28, 2015: http://scitation.aip.org/content/aip/journal/jcp/143/2/10.1063/1.4922545

domingo, 21 de junho de 2015

Um pouco sobre Direitos Humanos

Texto originalmente publicado no blog oficial da Liga Humanista do Brasil (Bule Voador)

“O sentimento vingativo que se denomina indignação moral não passa de uma forma de crueldade (…) pensar o criminoso como objeto de execração é totalmente irracional.”
Bertrand Russel

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Não parece por acaso que dentre os países com os melhores indicadores sociais encontram-se aqueles que mais zelam por liberdades individuais. Estudos nas áreas sociais têm apontado que as nações com maiores expectativas de vida, melhores níveis de alfabetização, educação e renda, são mais sensíveis a provocarem sentimento de autorrealização, e portanto felicidade [1]. E que as diferenças de personalidades entre homens e mulheres são maiores e mais robustas nos países mais prósperos e igualitários [2]. Por exemplo, é notório que a legalização do casamento gay é uma característica destes países, ou, no mínimo, é uma tendência que estes países estejam dispostos a debater e rever suas posições sobre o assunto (vide o referendo sobre o casamento homossexual recentemente na Irlanda). Acontece que para atingir este reconhecimento em qualidade de vida é necessário, ou no mínimo facilitador, que estas sociedades sejam comprometidas com Direitos Humanos.
E não é o caso que não se tente aqui no Brasil. De fato, há tentativas governamentais e não governamentais que lutam em prol de uma sociedade melhor, pautada por respeito aos direitos humanos. Infelizmente, e aqui a situação começa a se agravar, falar sobre direitos universalizantes no Brasil parece, para muitos, a se resumir em frases preguiçosas e mal informadas do tipo “defesa para bandido” ou “direitos humanos para humanos direitos”. Parte desta tentativa apressada e seletiva no que diz respeito a defesa de direitos básicos parece ser advinda da mal compreensão do que significa defender direitos universalizantes.

Grosso modo, direitos humanos são direitos que atribuímos uns aos outros independentemente de acordos pessoais e de determinações legais, ou seja, é entender que estes direitos não dependem de nacionalidade, classe social, etnia ou da vontade da maioria. São, antes de tudo, direitos morais no sentido de garantir a satisfação de condições mínimas para a realização de uma vida digna, e que consideram que qualquer indivíduo possa satisfazer suas necessidades básicas (como alimentação e assistência médica básica). É por isso que cercear a liberdade de um criminoso não implica em ter de deixá-lo em condições miseráveis correndo risco de morte em um cárcere. Reconhecer direitos humanos não significa defender a tese que criminosos não devem ser punidos; por outro lado, não defende-se a punição de um crime por tráfico de drogas com a morte do indivíduo. E que “justiça” feita com a próprias mãos pode ser qualquer coisa (vingança, provavelmente), menos justiça. Entre outras coisas, também a declaração mais recente dos direitos humanos foi criada como uma reação a uma das maiores barbáries em toda a História, na qual mais de 45 milhões de pessoas foram mortas em conflitos envolvendo regimes totalitários. O lado mais assustador disso é que boa parte das mortes não se deu no campo de batalhas, mas foram mortas por seus próprios Estados que lhe tiraram as condição de sujeitos de direitos. É nesse sentido que garantir direitos humanos também é fornecer um mecanismo de prevenção contra um eventual poder excessivo do Estado.

É sintomático que parte do público que desconhece minimamente o que é direitos humanos inclua as pessoas dispostas a relativizar qualquer assunto que envolva temas sobre a moral, e não raro são as mesmas que desprezam a argumentação às suas ideias, contentando-se simplesmente a manifestar um relativismo moral raso e/ou discursos de ódio. Entretanto, e há boas razões para afirmar isso, o relativismo cultural é incompatível com a tese de direitos humanos universalizantes [3]. Um problema similar, com causas no desconhecimento do assunto, acontece com as frases que colocam a falsa dialética “direitos humanos para bandidos ou para a vítima?”. Conforme já discutido em outro momento, a questão aqui não é de mérito (tampouco de conquista), mas de direito, e que endossar esse tipo de dilema é apenas contribuir para um debate mal informado e pautado na ânsia de satisfazer seus próprios instintos destrutivos.

O apelo a maioria é um ponto crucial quando falamos em direitos universais. É irrelevante se a maioria é contra a permissão da mulher decidir interromper uma gravidez; não é relevante que a maioria de uma população seja contra a mutilação de genitálias em mulheres para que isso seja combatido; é desnecessário exigir que políticas de casamentos civis do mesmo sexo tenham a aprovação da maioria. No momento que há disposição em aderir a teses universais, não é a maioria quem decide estas questões. Decisões deste tipo devem ser pautadas por reflexões éticas e evidências empíricas [4]. São considerações deste tipo que devem anteceder a aprovação de uma lei, e não a aprovação de uma lei que define o que é ou não ético.

Ampliar direitos de minorias sociais é tornar um mundo melhor, e isso não tira direitos de quem já os possui. E num país onde boa parte da população é mal informada sobre assuntos de ética e direitos universalizantes, é um indicativo que muito ainda temos para divulgar e estudar sobre estes assuntos.
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Notas

1. Há várias definições possíveis para o termo “indicadores sociais”. Para o meu propósito, refiro-me a alguns dados empíricos que são facilmente acessíveis de diversos países. Por exemplo, o portal da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development ) fornece uma interessante ferramenta na qual é possível visualizar e comparar alguns dos fatores centrais – tais como escolaridade, moradia, meio ambiente, etc (acesse aqui, em português). Ao simular o efeito da diferença de gêneros sobre alguns quesitos (em máxima importância), como renda, educação, trabalho e satisfação pessoal, nota-se que o México, Turquia e o Brasil não apenas apresentam os mais baixos valores para os quesitos simulados como também as maiores diferenças entre homens e mulheres. Países como Dinamarca, Suécia, Estados Unidos e Suíça apresentam os melhores valores dos quesitos, e também as menores diferenças nos valores dos índices comparando homens e mulheres.
Aqui, eu entendo o termo “liberdade individual” como garantias civis para que um indivíduo possa ter livre expressão de gênero sexual, confissão de crença e de expressão. Países que impedem algumas dessas garantias são, geralmente, os que apresentam os piores índices sociais. Assim, é importante reconhecer que desenvolvimento econômico (e liberdade econômica) é uma condição necessária mas não suficiente para o progresso social.

2. Costa, P.T. Jr.; Terracciano, A.; McCrae, R.R. (2001). “Gender Differences in Personality Traits Across Cultures: Robust and Surprising Findings“. Journal of Personality and Social Psychology 81 (2): 322–331. doi:10.1037/0022-3514.81.2.322. PMID 11519935.


4. Nos últimos anos, alguns autores contaminados em alguma medida pelo cientificismo têm lançados livros que defendem a tese que a ciência sozinha pode dar conta de determinar quais são os valores humanos dignos de atenção. Em outras palavras, que não há muito espaço para reflexões filosóficas (Vide Sam Harris e Michael Shermer, nos livros A paisagem Moral e The Moral Arc: How Science and Reason Lead Humanity toward Truth, Justice, and Freedom, respectivamente). O que é curioso, já que qualquer reflexão ética é por natureza uma exercício filosófico. O que está em causa é o seguinte: Dados empíricos são relevantes mas não determinam uma resposta única. Tanto a ciência e filosofia precisam operar em conjunto. Em alguns casos, a ciência é muito mais descritiva do que normativa. Não precisamos entender profundamente de neurociência para defender a tese que a mutilação genital é eticamente condenável. No vídeo, quando Michael Shermer tropeçava em conceitos básicos, Massimo Pigliucci foi claro em defender o que está em jogo na confusão cientificista destes autores.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O que a filosofia da ciência tem de proveitosa?

                                     Tradução publicada originalmente no blog Bule Voador 

"Não existe ciência livre de filosofia; existe apenas ciência cuja bagagem filosófica é embarcada sem passar pela vistoria.” Daniel Dennett

Arrisco-me a dizer que poucos filósofos questionam seriamente a utilidade de sua de sua própria busca, e os filósofos da ciência são, provavelmente, tão auto-confiantes quanto quaisquer outros. Mas a pergunta acertadamente solicitada pelo público em geral (quando os mesmos prestam atenção a essas questões), e em particular, pelos cientistas, é: o que a filosofia da ciência tem de proveitosa? Eu penso que há pelo menos três áreas de investigações, de alguma maneira inter-relacionadas, a um filósofo interessado em ciência. Essas são: primeiro, investigação sobre a própria da natureza da ciência; segundo, a análise de conceitos chaves usados pelos cientistas; e, finalmente, o que pode-se ser chamado de “crítica da ciência” — apesar da sugestão forte e indesejada do pós-modernismo que esse termo muitas vezes pode suscitar.

Eventualmente acabarei por me dedicar mais do que um parágrafo para cada um desses três tópicos da filosofia da ciência, mas vamos antes passar por uma rápida revisão do assunto como um todo, começando com o estudo da natureza da filosofia da ciência. Esta é provavelmente a atividade que a maioria das pessoas identificaria se a elas fossem perguntadas o que os filósofos da ciência fazem. Nomes como Karl Popper, Thomas Kuhn e até mesmo Paul Feyerebend facilmente vêm à mente. Deveriam os cientistas rejeitarem hipóteses, em vez de tentar confirmá-las? Será que a ciência avança por um processo de “equilíbrio pontuado”, alternando longos períodos de quebra-cabeças com breves explosões de revolução radical? Estas duas perguntas apontam para a existência de dois tipos diferentes de investigações filosóficas sobre a natureza da ciência. Por um lado, o trabalho de Popper é caracterizado por uma atitude normativa: falsificação não é necessariamente a maneira como os cientistas trabalham, mas é a maneira como eles deveriam trabalhar. A investigação de Kuhn, por outro lado, é mais descritiva: o filósofo aqui desempenha um papel próximo ao de um historiador crítico, que descreve como a ciência funciona, mas abstendo-se, tanto quanto possível, de juízo de valor sobre a eficácia ou falta dela em práticas científicas particulares.

Sem dúvida que os cientistas têm direito às suas próprias opiniões sobre como eles fazem o seu trabalho e sua eficácia. No entanto, curiosamente, considerando a popularidade de ceticismo que os cientistas profissionais assumem quando falam em filosofia, eles parecem ter absorvido com pouca dificuldade os ensinamentos de Popper e Kuhn. De fato, é bastante comum que em livros introdutórios nas ciências ensina-se o método científico de uma forma popperiana um tanto ingênua, e não é raro encontrar cientistas em reuniões ou na mídia que falam ou escrevem sobre “mudanças de paradigma” à la Kuhn.

Seja como for, figuras como Popper e Kuhn aparecem só de vez em quando, e quando surgem fazem análises de grande amplitude sobre as ciências. A maioria dos demais filósofos da ciência, por outro lado, tendem a publicar nas restantes duas áreas de atuação. Análise crítica dos conceitos científicos fundamentais é um campo interessante na fronteira entre filosofia e ciência, uma vez que tais análises podem ser realizadas dentro do espírito de compreensão filosófica pura, mas podem também, pelo menos em princípio, influenciar a prática da ciência. Naturalmente, isso só pode acontecer quando os cientistas se preocupam em ler literatura filosófica ou frequentam encontros e congressos sobre o tema -, mas alguns deles o fazem! No final do espectro mais perto de investigação filosófica pura do que a prática científica, encontramos, por exemplo, as investigações sobre a natureza da causalidade. Embora o conceito de uma causa é, obviamente, fundamental para a ciência, a maioria dos cientistas (com a possível exceção de alguns físicos que trabalham com mecânica quântica) nunca deram-lhe mais do que um pensamento passageiro. Mais perto do que pode ser diretamente útil para os cientistas são os estudos sobre a natureza da seleção natural na biologia. Por exemplo, a questão de saber se ela pode, de alguma forma, ser significativa considerada uma “força” análogas às estudadas pela física. As respostas a estas duas perguntas, a propósito, ainda se tem muito a se aprender, no verdadeiro estilo filosófico (que é uma das coisas que realmente irrita os cientistas sobre a filosofia).

O terceiro ramo da filosofia da ciência é talvez o menos glamouroso de uma perspectiva filosófica, e ainda, possivelmente, o mais útil para a ciência: a crítica da ciência. Não me refiro aqui à literatura barata e inocente que alega que a ciência é mais uma construção social, ou que o DNA é uma invenção dos homens brancos dominadores de outras raças e do sexo oposto, ou que o criacionismo tem o mesmo status do teoria da evolução porque ambos são “histórias” produzidos por uma determinada cultura. O que eu estou me referindo é competente crítica das afirmações científicas específicas. Talvez o principal exemplo disso seja a análise efetuada pela literatura filosófica sobre a investigação científica acerca da base genética do comportamento humano, especialmente as disciplinas ditas sociobiologia e da psicologia evolutiva.

O filósofo aqui novamente desempenha dois papéis: de um lado, a ciência pode, evidentemente, ser beneficiada de uma pela investigação crítica das suas metodologias específicas e de quão bem as alegações dos cientistas correspondem às evidências que eles trazem. Mas talvez o mais importante, é a sociedade em geral que está ganhando o máximo de um controle externo sobre a comumente dita inquestionável (e inquestionável por falta de conhecimento técnico) afirmações de cientistas profissionais. Aqui, no entanto, a prática filosófica facilmente esbarra na própria ciência, e os filósofos são necessários para realmente compreender a ciência que eles estão a criticar, ou eles só vão prejudicar a sociedade e a reputação da própria prática de filosofar.

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Autor: Massimo Pigliucci

Fonte: Philosophy Now

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Os melhores filmes que eu vi em 2014

Inevitavelmente, todo cinéfilo também gosta de números. E de listas. Conhecer obras relevantes da história do cinema é um processo natural que qualquer espectador com maior afinco ao cinema dedicará algum tempo. Daí, portanto, que ver muitos filmes acaba sendo uma consequência um pouco de curiosidade e um pouco de dedicação.

Seguindo o costume iniciado ano passado, publico aqui a lista dos filmes que vi durante o ano. Foram 510 filmes vistos. Um número expressivo considerando todas as outras atividades e demandas durante o ano. Embora tenha sido uma marca pessoal (inicialmente planejava uma média de 365), não foi algo difícil de conseguir. A cidade de Porto Alegre -- ainda que sofra com a ausência de uma mostra de expressão considerável e também deixe de exibir comercialmente vários filmes --, foi capaz de deixar os cinéfilos felizes durante o ano passado. Apenas para citar alguns, lembro da mostra que seguiu o ano inteiro acompanhando os filmes favoritos do cineasta francês François Truffaut, que percorreu os filmes comentados por ele no livro Os filmes de minha vida. Nesta mostra, foi exibido filmes de cineastas importantíssimos como Jean Renoir, Fritz Lang, Frank Capra, Howard Hawks, Billy Wilder, Douglas Sirk, Rober Bresson, Ingmar Bergman, Luis Buñel, Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Orson Welles, Frederico Fellini, Roberto Rosselino, entre outros. Além de todos os filmes do prório François Truffaut. Paralelamente, ao longo do ano, ocorreram outras mostras como a Nouvelle Vague Checa, Santander Cultural com filmes nacionais,  A Vingança dos Filmes B, Cinema Esquema Novo, Fantaspoa, etc.

Na lista que segue, elenco os melhores filmes que eu vi e que tiveram exibição comercial. Infelizmente, alguns só tiveram exibição em mostras e não os considerei na lista (mas farei uma menção a eles logo abaixo). Ao término divulgo a lista de todos os filmes vistos.

Os 10 melhores


10. Entre Nós (Paulo Morelli) 
Há alguma coisa no filme que causa empatia e reconhecimento com o público. E não é apenas o elenco de faces conhecidas. Uma produção nacional que mostra que a produtora Globo Filmes (que praticamente domina e  homogeniza as exibições comerciais no país) é capaz de investir em ótimas produções.




9. Mommy (Xavier Dolan)
Xavier Dolan é o cineasta pródigo do cinema quebequense. Seu último filme explora uma complexa relação entre mãe e filho. E convida o espectador a entrar nesse mundo através de uma série de recursos narrativos interessaníssimos.


 




 8. Ela (Spike Jonze)
A metáfora do amor em um mundo tecnológico.











7. Sob a pele (Jonathan Glaze) 
Glaze não se submeteu às regras de gênero. O resultado foi um interessantíssimo estudo de personagem na pele da alienígena (?) Scarlett Johansoon.




                                                                                     




 6. O Homem Duplicado (Denis Villeneuve)
Villeneuve tem tido uma carreira interessante. Ao levar para as telas a obra do Saramago conseguiu  criar uma trama envolvente tematicamente e narrativamente.







5. O lobo de Wall Street (Martin Scorsese)
Scorsese em ótimo desempenho trazendo seus maravilhosos (e moralmente condenáveis) personagens. 










4. Amar, beber e cantar (Alain Resnais)
Último filme do Resnais. Reinventou o cinema várias vezes, até o fim.




 
 


3. Era uma vez em Nova York (James Gray)
Imerso em uma belíssima fotografia e uma maravilhosa direção de arte, Gray constrói uma história tocante.  E ainda nos brinda com alguns dos melhores planos do ano.





 

2. O lobo atrás da porta (Fernando Coimbra)

Surpreendente e desafiante, o primeiro longa do Coimbra explora temas como o limite do ódio, desejos e mentiras. Tematicamente rico (característica do cinema nacional) e envolvente que fica difícil entender qual a razão de vários exibidores o terem desprezado.






1. Bem vindo a Nova York (Abel Ferrara)
Parcialmente inspirado em fatos reais, Gérard Depardieu aprece em um papel de um homem moralmente sujo, grotesco e impulsivo. Quem conhece um pouco da filmografia do Ferrara sabe que ele está bem confortável em explorar figuras indesejáveis. Talvez por isso que o filme encante, mesmo que nos cause repulsa.




Menção honrosa - 7 filmes

Tabu (Miguel Gomes, Portugal)
Garota exemplar (David Fincher)
Avanti Popolo (Michael Wahrmann, Brasil)
Relatos selvagens (Damián Szifron, Argentina)
Castanha (Davi Pretto, Brasil)
O abutre (Dan Gilroy, EUA)
Boyhood (Richard Linklater, EUA)


As não estreias
Filmes ótimos e maravilhosos que não tiveram exibição comercial (acredito que alguns ainda têm chance, outros nem tanto. Acontece que alguns foram lançados, porém com cópias tão limitadas que , até onde eu sei, não chegaram na cidade de Porto Alegre).

Ela volta na quinta (André Novais Oliveira, Brasil)
Educação sentimental (Júlio Bressane)
Batguano (Tavinbo Teixera)
O que se move (Caetano Gotardo)
O ciúme (Philippe Garrel)
Cavalo Dinheiro (Pedro Costa)
Babadook (Jennifer Kent)
 

Ruins

Transcendence - A Revolução (Wally Pfister) 
Elenco notável: Johnny Depp, Rebecca Hall, e Morgan Freeman. Produção executiva de Christopher Nolan. É aquela mistura com todos os ingreientes interessantes. Faltou um bom cozinheiro. Neste caso, a culpa também é das estrelas.

Ouija - O Jogo dos Espíritos (Stiles White)
 

Sofrível e sonolento. Os episódios de suspense da Malhação devem ser melhores.

O Apocalipse (Vic Armstrong)

 Muito provavelmente uns dos filmes mais horrorosos de Hollywood dos últimos anos.

Lucy (Luc Besson)

 Ainda tem gente que leva Luc Besson a sério?

Lista completa dos filmes vistos


      * Péssimo      ** Regular      *** Bom       **** Ótimo      ***** Obra-prima
1
O homem do futuro
**
2
Assalto ao banco central
**
3
A Caverna dos Sonhos Esquecidos
****
4
Tabu
****
5
Um corpo que cai
*****
6
Ninfomaníaca, volume 1
***
7
Vestida para matar
***
8
O homem que não dormia
***
9
O rei do cagaço
**
10
Porta de fogo
**
11
O dia que durou 21 anos
***
12
O homem urso
****
13
Irmãs diabólicas
***
14
O exercício do caos
***
15
Elena
****
16
Jovem e bela
***
17
O céu de Suely
****
18
Os belos dias
**
19
Caça aos gângsteres
***
20
O lobo de Wall Street
*****
21
Alice e as cidades
*****
22
Febre do rato
****
23
Eu me lembro
***
24
O que se move
*****
25
Simone
***
26
O menino japonês
***
27
O Encouraçado Potemkin
*****
28
Cobra verde
***
29
O homem da Terra
**
30
Nosferatu: o vampiro da noite
**
31
Clandestina felicidade
**
32
A invenção da infância
**
33
Lady Vingança
***
34
Doodlebug
****
35
Um tiro na noite
***
36
What's a Nice Girl Like You Doing in a Place Like This?
***
37
Rolex de ouro
****
38
Sonho mórbido
****
39
O presente
**
40
 O homem sem cabeça
**
41
Trabalhar cansa
****
42
Um ramo
***
43
O lenço branco
***
44
The big shave
***
45
Reality - a grande ilusão
***
46
A grande beleza
***
47
Os sete samurais
*****
48
Um dia na vida
*****
49
Velinhas
***
50
Trapaça
****
51
Boca de lixo
**
52
Notícias de uma guerra particular
***
53
O baile perfumado
****
54
Sinédoque, Nova York
*****
55
It’s Not Just You, Murray!
***
56
Baixio das bestas
***
57
Edifício Master
*****
58
Philomena
**
59
Quando eu era vivo
***
60
Os caçadores de obras primas
**
61
Yojimbo, o guarda-costas
****
62
Madame Satã
***
63
Santo forte
***
64
Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum
***
65
O homem do ano
***
66
Ela
****
67
Robocop, O Policial do Futuro
***
68
Lugar Algum
***
69
Os famosos e os duendes da morte
***
70
A Perseguição
***
71
Ensaio de um crime
***
72
Acossado
****
73
Most - A Ponte Entre o Agora e Sempre
***
74
Zero de conduta
****
75
Um dia no campo
*****
76
Robocop
***
77
O Atalante
*****
78
12 anos de escravidão
***
79
A grande ilusão
*****
80
The Killers
***
81
There Will Be No Leave Today
***
82
The Steamroller and the Violin
***
83
O maior espetáculo da Terra
**
84
Viver a Vida
*****
85
Trapézio
**
86
Neblina e Sombras
***
87
A carruagem de ouro
****
88
French cancan
****
89
Lights Out
***
90
Fear of the dark
***
91
As estranhas coisas de Paris
***
92
Closer - perto demais
*****
93
O testamento do Doutor Cordelier
*****
94
O rio sagrado
***
95
Alemão
***
96
Ladrão de Alcova
****
97
Babilônia 2000
****
98
El Empleo
***
99
A doença do sono
***
100
27 Corações
**
101
Davi e os Aviões
**
102
Kassandra
***
103
Fantasmas da Cidade
**
104
Os duelistas
***
105
Depois do vendaval
***
106
M, o vampiro de Dusseldorf
*****
107
O grande segredo
***
108
Entre nós
****
109
A chuva
***
110
No silêncio de uma cidade
*****
111
Suplício de uma alma
****
112
O galante Mr. Deeds
****
113
Amores possíveis
**
114
Noé
***
115
No ano de 2020
***
116
Zardoz
***
117
A mulher faz o homem
*****
118
Scarface, a vergonha de uma nação
****
119
A felicidade não se compra
****
120
Adorável vagabundo
***
121
Quarto 666
***
122
Amargo pesadelo
****
123
Memómias de Xangai
***
124
Na neblina
***
125
Bananas
****
126
Fandango
***
127
Dark Star
***
128
Inverno da alma
****
129
A mosca
****
130
A fúria
****
131
Os homens preferem as loiras
***
132
Alabama Monroe
***
133
Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu
***
134
Flagrante de queda de avião
**
135
Iluminação íntima
***
136
Coragem todo dia
****
137
A festa e os convidados
*****
138
A piada
***
139
Diamantes da noite
*****
140
140-Marketa Lazarova
*****
141
Pedro, o negro
****
142
Trens estreitamente vigiados
****
143
Valerie e sua semana de deslumbramentos
****
144
O homem errado
****
145
Getúlio
**
146
Aguirre, a Cólera dos Deuses
****
147
As pequenas margaridas
****
148
A Sombra de uma Dúvida
***
149
Os dias com ele
***
150
O cremador
*****
151
Educação sentimental
*****
152
Hoje eu quero voltar sozinho
****
153
Ninfomaníaca, volume 2
***
154
Um U.R.S.O na minha rua
***
155
Merda!
***
156
Europa
****
157
Godzilla
**
158
Sob a pele
****
159
Os filmes que não fiz
***
160
160-X-men: os dias de um futuro esquecido
***
161
Vera Cruz
***
162
Manhattan
*****
163
Contestação
**
164
Orgia ou o Homem que deu cria
****
165
A gatinha esquisita
***
166
Os últimos dias em Marte
*
167
Amor, palavra prostituta
****
168
O Anjo Nasceu
****
169
Vidas amargas
****
170
Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
****
171
A Garota de Lugar Nenhum
****
172
Um Dia, Um Gato
**
173
O Diabo, Provavelmente
***
174
O mensageiro do diabo
*****
175
Moscou
***
176
LV-426
**
177
Oldboy
***
178
O lobo atrás da porta
*****
179
Praia do futuro
****
180
Quem é o infiel?
***
181
Limite
*****
182
No limite do amanhã
***
183
Pelos Caminhos do Inferno
****
184
Laranja Mecânica
*****
185
Picnic na montanha misteriosa
****
186
O fantasma do paraíso
***
187
Enigma na Estrada
***
188
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
****
189
O sonho de Cassandra
***
190
Pobres Diabos no Paraíso
***
191
Amarga Esperança
****
192
Cinzas que queimam
*****
193
Transcendence - A Revolução
*
194
O invasor
****
195
Delírios de loucura
****
196
O céu sobre os ombros
***
197
Mauro Shampoo - Jogador, Cabelereiro e Homem
**
198
Trópico das Cabras
***
199
Por Gentileza
**
200
O que matou por amor
****
201
Réquiem
***
202
Almas em Chamas
***
203
Palavras ao vento
*****
204
Morango com Limão
**
205
O espelho
**
206
Ato final
***
207
Trabalho Interno
***
208
A menina santa
**
209
A visitante francesa
***
210
O guardião
**
211
A travessia de Paris
***
212
A Casa de Pequenos Cubinhos
****
213
Dimensões do Diálogo
****
214
Grisbi, Ouro Maldito
***
215
O professor
***
216
BURN·E
**
217
Avanti Popolo
****
218
A Um Passo da Liberdade
*****
219
Vestido de Laerte
***
220
As Damas do Bosque de Boulogne
***
221
Angustia
***
222
Os anjos Exterminadores
***
223
Mascarados
***
224
Pietá
***
225
Quem disse medo
***
226
Os suspeitos
*****
227
Um Condenado à Morte Escapou
*****
228
Brinquedo proibido
****
229
A Inglesa e o Duque
****
230
Serras da desordem
****
231
O mistério de Picasso
****
232
O testamento de Orfeu
***
233
Vic + Flo Viram um Urso
***
234
O prazer
*****
235
Killer Joe
*****
236
Possuídos
*****
237
Viver e Morrer em Los Angeles
*****
238
Um Episódio na Vida de um Catador de Ferro-Velho
***
239
Dias do Paraíso
*****
240
Parceiros da noite
***
241
Estamira
*****
242
O planeta dos macacos - o confronto
***
243
Lola Montès
****
244
Se...
***
245
Heli
***
246
Rubber
**
247
Bestiário
***
248
O bravo guerreiro
*****
249
Desejos Proibidos
***
250
Lições da Escuridão
*****
251
Redemption
**
252
A Outra Terra
**
253
Terra de Ninguém
****
254
Ama-me ou esquece-me
**
255
Terra do Silêncio e da Escuridão
*****
256
Meu Tio
***
257
Inimigos públicos
***
258
Cuidado madame
*****
259
As Férias do Sr. Hulot
***
260
Carta de uma desconhecida
****
261
Gritos e sussuros
*****
262
Alien - O Monstro Assassino                    
*
263
Jornada nas Estrelas - o filme
***
264
Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan
***
265
Sorrisos de uma Noite de Amor
****
266
Madame Bovary
***
267
Uma Lição de Amor
****
268
Riocorrente
****
269
O Homem das Multidões
***
270
Sede de paixões
***
271
Noites de circo
***
272
Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock
**
273
O Capitão de Köpenick
****
274
A última ponte
***
275
Guardiões da galáxia
***
276
Jornada nas Estrelas IV - A volta para a casa
***
277
O General do Diabo
***
278
O Médico Alemão
***
279
Música na noite
***
280
Aqui e acolá
****
281
A margem
*****
282
Ozualdo Candeias e o Cinema
****
283
No Limiar da Vida
****
284
A Hora do Lobo
****
285
A paixão de Ana
*****
286
Uma dose violenta de qualquer coisa
***
287
O salário do medo
*****
288
Viridiana
****
289
O comboio do medo
*****
290
Os rapazes da banda
*****
291
Síndrome do mal
***
292
Tristana, Uma Paixão Mórbida
***
293
A bela da tarde
****
294
Lawrence da Arábia
****
295
A festa de aniversário
*****
296
Boy Meets Girl
****
297
Quando eu era sombrio
***
298
The Square
***
299
Alien
*****
300
Medéia
***
301
Noites de Cabíria
*****
302
Blinkity Blank
***
303
Neighbours
***
304
Pen Point Percussion
***
305
Dots
**
306
Boogie Doodle
***
307
Oito e meio
*****
308
Sangue ruim
****
309
Alemanha, ano zero
***
310
Roma, cidade aberta
****
311
Bem vindo a Nova York
*****
312
Beber, cantar e amar
****
313
A oeste do fim do mundo
***
314
Riddick 3
*
315
Aliens
****
316
Boa Noite e Boa Sorte
***
317
Francisco, Arauto de Deus
****
318
Pas de deux
***
319
Swinging the Lambeth Walk
***
320
Terra sem pão
*****
321
Viagem à Itália
****
322
Era uma vez em Nova York
****
323
Stromboli
*****
324
Olhos de serpente
*****
325
Hélio Oiticica
***
326
A Batalha de Solferino
****
327
O vício
****
328
Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia
****
329
Vício frenético
*****
330
O rei de Nova York
****
331
Manakamana
***
332
Maze Runner
**
333
A trágica farsa
***
334
A Floresta Petrificada
****
335
Cruz de ferro
*****
336
Corações famintos
***
337
De menor
***
338
A infância de Ivan
****
339
Gangues do Gueto
**
340
Meshes of the Afternoon
****
341
Assalto e roubo do trem
*****
342
La jetée
****
343
O último refúgio
****
344
Viagem através do impossível
*****
345
Quarto 237
***
346
Uma aventura na Martinica
***
347
Coisas secretas
*****
348
Uma família
**
349
Miss Violence
***
350
Assim caminha a humanidade
****
351
A religiosa
*****
352
E Deus criou a mulher
***
353
Nas garras do vício
****
354
Sin City: A Dama Fatal
**
355
Uma Família em Tóquio
****
356
Cortinas Fechadas
***
357
A tortura do silêncio
***
358
O Apartamento
***
359
Os amantes
****
360
De Quinta a Domingo
***
361
Garota Exemplar
****
362
Muriel
****
363
Era uma vez em Tóquio
*****
364
Livrai-nos do mal
**
365
Ela e o Seu Gato
***
366
Novas lutas extravagantes
****
367
Uma noite terrível
***
368
Escamotage d'une Dame au Théâtre Robert Houdin
***
369
Le Manoir du Diable
****
370
Castanha
****
371
O homem mais procurado
****
372
Os últimos cartuchos
***
373
Depois da bola
***
374
Violent Cop
****
375
A hora mais escura
***
376
Maria Ninguém
*
377
Outros mundos
***
378
Recife frio
****
379
A Idade do Ouro
***
380
Viva a liberdade
***
381
O Impressionante fim do Século
****
382
Meu amigo Totoro
*****
383
Um dia de prazer
***
384
Marnie, confissões de uma ladra
***
385
O locatário diabólico
*****
386
Sete homens e um destino
***
387
O Sonho de Rarebit Fiend
****
388
O grande herói
***
389
Ela volta na quinta
****
390
A oeste dos trilhos
****
391
O Jogo de Geri
**
392
Um dia cheio
****
393
O Estudante
***
394
Filha distante
***
395
Os irmãos Mai
***
396
O apocalipse
*
397
A Fonte da Donzela
*****
398
A regra do jogo
*****
399
O bolo
**
400
O Poeta Dinamarquês
***
401
Autómata
***
402
Éric Rohmer educativo: entrevista com Jean Renoir e Henri Langlois sobre Louis Lumière
*****
403
A vingança da pantera cor de rosa
*
404
O jardineiro regando
****
405
O almoço do bebê
***
406
Panorama Pendant L'ascension de la Tour Eiffel
****
407
Um assaltante trapalhão
***
408
Relatos selvagens
****
409
Antoine et Colette
****
410
Um céu de estrelas
*****
411
O tiro no pianista
***
412
Um Só Pecado
*****
413
Jules e Jim: Uma mulher para dois
****
414
O tempo que vale mais
***
415
Les Bons Débarras
****
416
Corrida silenciosa
***
417
Interestelar
***
418
Beijos proibidos
***
419
Quase abduzidos
**
420
Barba azul
**
421
A banda de um homem só
**
422
Cavalo Dinheiro
*****
423
Domicílio Conjugal
**
424
O cíúme
****
425
A noiva estava de preto
***
426
Ten Glorious Seconds
**
427
Normal love
***
428
Scotch Tape
**
429
Songs for rent
**
430
Sinbed of Baghdad
**
431
Flaming Creatures
***
432
Parque soviético
***
433
Com os punhos cerrados
***
434
Coffee
****
435
Bruce Lee in the Land of Balzac
**
436
Line Describing a Cone
**
437
Uma jovem tão bela como eu
***
438
Lucy
*
439
Lavatory Lovestory
***
440
Oktapodi
**
441
The God
**
442
Duas inglesas e o amor
*****
443
Sain Laurent
***
444
The Georgetown Loop
***
445
Perfect Film
***
446
A erva do rato
****
447
Matou a familia e foi ao cinema
*****
448
Almoço na relva
***
449
Batguano
****
450
Jardim das espumas
***
451
A mulher do lado
****
452
De repente, num domingo
***
453
Nós vamos te comer
***
454
Cuidado madame
****
455
A opinião pública
****
456
A noite americana
****
457
Jogos Vorazes: A esperança - parte 1
****
458
Água Para Elefantes
***
459
Boyhood - Da Infância à Juventude
****
460
Sem Essa Aranha
*****
461
Meninos do kichute
**
462
Os amigos
***
463
Barão Olavo, o Horrível
*****
464
O homem que amava as mulheres
****
465
Milagre em St. Anna
***
466
Buena Vista Social Club
***
467
The Natural Life of Mermaids
***
468
Pray
***
469
Revelações  de um Cineasta Canibal
***
470
Carne
***
471
Nua Por Dentro do Couro
***
472
Peck Pocketed
**
473
A saída do barco
***
474
Fête de Paris 1899 - Concours D'automobiles Fleuries
***
475
À Meia-Noite Levarei Sua Alma
****
476
O massacre da serra elétrica
*****
477
A Família do Barulho
****
478
Copacabana Mon Amour
****
479
O Abismo
****
480
Hitler 3º Mundo
*****
481
O Hobbit: a batalha dos cinco exércitos
**
482
Mommy
****
483
Monster
***
484
Libertem Angela Davis
***
485
Ouija - O Jogo dos Espíritos
*
486
Mil vezes boa noite
***
487
Incêncios
***
488
Amor só de mãe
***
489
Liga-pontos
***
490
HCl
**
491
A que chamamos de aurora
***
492
Bar
***
493
A era do metal
***
494
Síndrome de Lobisomem
***
495
Mouchette
*****
496
Babadook
*****
497
Favula
***
498
Êxodo: Deuses e Reis
**
499
O livro mágico
****
500
Un Homme de tête
***
501
O Assassino da Furadeira
****
502
Falsa Loura
****
503
14 Bis
**
504
Relíquia Macabra
*****
505
O homem duplicado
*****
506
A Mulher de Todos
*****
507
O assalto ao trem pagador
*****
508
Wanderes
***
509
O Abutre
****
510
Lacrau
***